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Ciência e desempenho em campo: Projeto Maxx Atleta Dogs

Uma pesquisa inédita liderada pela professora Gisele Maria Fagundes, do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Roraima (UFRR), está promovendo avanços significativos na forma como cães de trabalho são preparados para suas funções operacionais.

Projeto Maxx Atleta Dogs

Uma pesquisa inédita liderada pela professora Gisele Maria Fagundes, do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Roraima (UFRR), está promovendo avanços significativos na forma como cães de trabalho são preparados para suas funções operacionais.

Intitulado Maxx Atleta Dogs, o projeto investiga os efeitos da suplementação com spirulina, creatina e maltodextrina, fornecida na forma de gominhas funcionais, sobre o rendimento físico, o metabolismo e o comportamento de cães policiais. A iniciativa conta com a colaboração do professor André Luiz Baptista Galvão, do curso de Medicina Veterinária da UFRR, apoio da equipe técnica do Canil da Polícia Penal de Roraima, e parceria com o Laboratório Veterinário de Bem-Estar Animal (LABEAVET), responsável pelas análises bioquímicas.

Durante os testes, os animais são submetidos a exercícios que simulam suas atividades reais de serviço, com monitoramento rigoroso de parâmetros fisiológicos como frequência cardíaca, temperatura corporal, lactato sanguíneo e comportamento pós-esforço.

Trata-se de um tipo de estudo ainda extremamente raro no Brasil e no mundo. Pesquisas com cães de serviço submetidos a protocolos nutricionais funcionais e avaliações fisiológicas completas são escassas na literatura científica, o que torna o Maxx Atleta Dogs um projeto pioneiro e de alto impacto.

Já na primeira semana de suplementação, os resultados chamaram atenção: um cão da raça Rottweiler, que antes demonstrava letargia, cansaço precoce e já estava em processo de aposentadoria, passou a apresentar alto nível de disposição, agilidade e resistência física, mantendo ritmo constante até o final das corridas e com menor grau de ofegância.

Esse resultado preliminar, embora ainda inicial, evidencia o potencial da nutrição funcional em transformar o desempenho de cães de trabalho. Mais do que aprimorar aspectos físicos, uma alimentação estrategicamente formulada pode contribuir de forma decisiva para ampliar a longevidade operacional de cães que, em condições comuns, seriam aposentados ou descartados precocemente.

O projeto também destaca a importância da aproximação entre a Zootecnia e a Medicina Veterinária, mostrando que a colaboração efetiva entre as duas áreas é fundamental para que estudos aplicados como este possam se tornar mais frequentes. A união entre a expertise nutricional do zootecnista e a abordagem clínica do médico-veterinário permite a construção de pesquisas mais completas e integradas, com benefícios diretos para o bem-estar e a performance de cães de trabalho.

Além de seu caráter inovador, o projeto se destaca por integrar as três dimensões fundamentais da universidade pública: pesquisa, ensino e extensão. A condução das atividades envolve discentes da Zootecnia e da Medicina Veterinária, com forte atuação prática em todas as etapas do experimento. A aluna Iza Victoria de Moura Silva, da Zootecnia, desenvolverá seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) com base nos dados do projeto.

A professora Gisele destaca o protagonismo do zootecnista neste campo ainda pouco explorado:”A Zootecnia não se limita aos animais de produção. Nossa missão vai muito além do pasto: o zootecnista tem ciência e técnica para contribuir com o desempenho e a qualidade de vida de todos os animais – inclusive os cães que atuam em segurança pública. Somos capacitados para formular dietas funcionais, avaliar o desempenho metabólico e promover saúde por meio da alimentação. Este projeto é a prova de que podemos – e devemos – ocupar esse espaço com ciência, responsabilidade e impacto social direto.”

O Maxx Atleta Dogs reforça a importância da ciência feita na Amazônia como motor de inovação, formação acadêmica e compromisso ético com o bem-estar animal.