Caminhoneiro de Goiânia chama atenção para a realidade de quem depende diariamente das rodovias e defende que segurança no trânsito seja discutida para além de radares e multas
Quem atravessa Goiás todos os dias atrás de um volante conhece uma realidade que nem sempre aparece nas discussões sobre trânsito. Buracos, sinalização, acostamentos, pontos de parada, custos da atividade e horas seguidas dentro de uma cabine fazem parte da rotina de milhares de trabalhadores.
É a partir dessa experiência que o caminhoneiro goianiense Florismar Júnior tem levantado uma discussão: se o motorista é cada vez mais fiscalizado e cobrado para cumprir as regras, o poder público também precisa continuar avançando na estrutura oferecida a quem utiliza as rodovias.
Em entrevista ao Anápolis Notícias, Florismar deixou claro que o debate não deve ser colocado como uma disputa contra a fiscalização. Para ele, radares, controle de velocidade e cumprimento das leis têm papel importante na segurança. O questionamento está em olhar para o trânsito de maneira mais ampla.

A discussão ocorre em um estado com uma malha rodoviária extensa. Segundo a Goinfra, Goiás possui 21,6 mil quilômetros de rodovias estaduais, considerando trechos pavimentados e não pavimentados. Desse total, aproximadamente 12,7 mil quilômetros são pavimentados. A própria agência mantém programas de conservação envolvendo pista, acostamentos, pontes e outros dispositivos rodoviários.
Ao mesmo tempo, a fiscalização eletrônica integra a política estadual de segurança viária. A Goinfra disponibiliza publicamente a localização dos equipamentos de monitoramento de velocidade, além das notas de instalação e dos estudos técnicos relacionados aos pontos fiscalizados.
É justamente nesse cenário que Florismar busca colocar o motorista profissional no centro da conversa.
“Não somos contra a fiscalização. O que precisamos discutir é como essa mesma preocupação com a segurança chega a quem está todos os dias na estrada. Segurança também passa por pavimento, sinalização, acostamento, estrutura e condições dignas para quem trabalha”, defende.
A preocupação com segurança viária tem resultados concretos. Dados divulgados pelo Detran-GO mostram que Goiás registrou 908 mortes no trânsito em 2025, contra 1.021 em 2024, redução de 11,1%. O órgão atribui o resultado ao conjunto de ações envolvendo fiscalização, educação e gestão da segurança viária.
Florismar argumenta que o próximo passo desse debate precisa incorporar ainda mais a experiência de quem passa a vida nas rodovias.
Caminhoneiros movimentam mercadorias, alimentos, insumos e parte importante da economia goiana. Para esses profissionais, a estrada não é apenas um caminho entre duas cidades. É o local de trabalho.
Por isso, Florismar defende políticas públicas construídas a partir da realidade de caminhoneiros, motociclistas, motoristas profissionais e demais usuários das rodovias.
A provocação que ele deixa é simples: se existe estrutura para fiscalizar quem está atrás do volante, como garantir que a mesma atenção continue chegando à estrada que está debaixo dele?
Para Florismar Júnior, fiscalização e infraestrutura não precisam estar em lados opostos. O desafio é fazer com que avancem juntas — ouvindo, sobretudo, quem conhece as rodovias não apenas pelos números, mas por quilômetros rodados todos os dias.




