O time entrega resultados, mas vive no limite. O RH apaga incêndios, mas não tem estrutura para preveni-los. Especialista explica por que esse padrão tem nome e uma solução que vai além da psicologia
Por Cândida Cataldi | Psicanalista Estrategista de Carreira e Negócios com Saúde Mental Integrada, Conselheira de Expansão com 20 anos de trajetória
O Brasil é o segundo país com maior índice de burnout no mundo. Mais de 30% dos trabalhadores brasileiros apresentam sintomas de esgotamento profissional. E a resposta corporativa padrão continua sendo a mesma: tratar o sintoma individualmente e devolver a pessoa ao mesmo ambiente que a adoeceu.
2°lugar mundial em burnout ocupacional. O Brasil perde apenas para o Japão. Mais de 30% dos trabalhadores apresentam algum sintoma de esgotamento.
Fonte: ISMA-BR · International Stress Management Association
R$4,7bié o custo estimado dos problemas de saúde mental no trabalho para empresas brasileiras ao ano, incluindo afastamentos, queda de produtividade e turnover.
Fonte: Fiocruz · Ministério da Previdência Social
70%do engajamento de um colaborador é determinado pelo seu gestor direto. Quando a liderança adoece, ela arrasta a cultura inteira com ela.
Fonte: Gallup · State of the Global Workplace 2024
O burnout silencioso que vive antes dos relatórios
Existe um estágio do adoecimento organizacional que não aparece nas pesquisas de clima, não acende alertas no RH e não gera afastamentos formais. É o estágio em que o profissional ainda entrega, mas opera no limite do que consegue sustentar.
“O burnout silencioso não afasta. Ele permanece. E é exatamente por isso que é mais caro: você paga pelo presencial de quem já não está mais presente.”
As 3 leis sistêmicas das organizações
Empresas são, do ponto de vista da abordagem sistêmica, comunidades de destino. A fenomenologia sistêmica, desenvolvida a partir dos trabalhos de Bert Hellinger, identifica três leis fundamentais que regem qualquer sistema.
A primeira é a Lei da Ordem: cada pessoa e papel tem seu lugar legítimo no sistema. Quando a ordem é invertida, o sistema trava. A segunda é a Lei do Pertencimento: todo membro tem direito de pertencer. Quando alguém é excluído, o sistema busca restituir esse lugar através de conflitos ou padrões repetitivos.
A terceira é a Lei do Equilíbrio: dar e receber precisam estar em equilíbrio. Quando há desequilíbrio crônico, equipes que entregam sem ser reconhecidas, o sistema se contrai e eventualmente colapsa.
“Desenvolver liderança humanizada não é diferencial. É necessidade estratégica. Líderes que adoecem arrastam a cultura inteira com eles. Líderes que crescem de dentro para fora constroem equipes que se autossustentam.”
A NR-01 tornou obrigatório o gerenciamento de riscos psicossociais para todas as empresas brasileiras a partir de maio de 2025. Estresse crônico, burnout e pressão excessiva não se trata apenas de compliance. É a formalização legal do que a ciência já confirma.
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